A Nasa vai executar ainda neste ano um teste de voo circunlunar (ao redor da Lua) não tripulado com a missão Artemis I, mas esse teste terá um segundo objetivo prático: segundo comunicado da agência, o voo levará a embarcação NEA Scout, que por sua vez carrega alguns satélites miniaturizados CubeSat, no intuito de criar um sistema de detecção e prevenção contra asteroides.

Todo o equipamento já está em posição no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A NEA Scout é bem diminuta, tendo mais ou menos o mesmo tamanho que uma caixa de sapatos mais avantajada, de acordo com o comunicado. Ela está devidamente armazenada em uma prateleira especial na área de integração entre o foguete (Space Launch System, ou simplesmente “SLS”) e a espaçonave Orion.

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Imagem mostra a NEA Scout, embarcação que voará de carona em teste da missão Artemis I, que levará satélites de prevenção contra asteroides ao espaço
A NEA Scout (parte dourada), sendo acoplada à prateleira que ficará no sistema de integração da nave Orion, da missão Artemis I. Imagem: Nasa/Divulgação

“A NEA Scout será a primeira missão interplanetária dos EUA a fazer uso da propulsão por velas solares”, disse Les Johnson, pesquisador chefe de tecnologia para a missão no Centro de Voo Espacial Marshall, da Nasa. “Já tivemos diversos testes de voos com velas na órbita da Terra, e agora nós estamos prontos para mostrar que podemos usar esse tipo de propulsão de naves espaciais para novos destinos e executar importantes pesquisas científicas”.

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Aqui, cabe uma explicação mais detalhada: o mini satélite CubeSat conta com um ejetor de aço inoxidável que abre uma vela cujo filme é feito de um plástico revestido de alumínio — mais fino que um fio de cabelo, mas grande como uma quadra de tênis.

Essa vela é capaz de gerar aceleração por meio do reflexo da luz solar. Os fótons — partículas de energia vindas do Sol — “quicam” na vela, gerando um “empurrão” constante. Como não há atrito no espaço, a aceleração, ínfima no início, vai se acumulando com o tempo, e a velocidade aumenta.

O objetivo dos satélites CubeSat e da embarcação NEA Scout é simples, e está descrito, inclusive, no nome: “NEA” é a sigla em inglês para “Asteroide Próximo à Terra” (Near Earth Asteroid). A embarcação marcará o início de uma missão de aproximadamente dois anos, onde usará as velas solares para navegar em direção a um asteroide próximo do nosso planeta.

Uma vez que chegar ao seu destino, a NEA Scout vai produzir imagens aprofundadas e detalhadas do asteroide – algo como 10 centímetros dele para cada pixel da imagem.

Isso permitirá que cientistas na Terra estudem a composição e comportamento da pedra espacial, ampliando nosso entendimento de nossos vizinhos rochosos. Nesse ponto a nave viajará a uma velocidade reduzida de menos de 30 metros por segundo, para facilitar o detalhamento das fotos.

“As imagens criadas pela NEA Scout trarão informações essenciais sobre as propriedades físicas do asteroide, como o seu volume, órbita, formato, rotação, a poeira e dejetos ao seu redor, e propriedades de sua superfície”, disse Julie Castillo-Rogez, a pesquisadora que lidera a missão no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

Além disso, a missão servirá como um método preventivo no encontro de asteroides com menos de 100 metros de tamanho, uma categoria nunca antes explorada: “apesar do seu tamanho, alguns desses asteroides menores podem ameaçar a Terra”, disse o doutor Jim Stott, gerente de tecnologia da NEA Scout. “Entender as suas características nos ajudará a desenvolver estratégias de redução de danos diante da possibilidade de um impacto”.

Finalmente, a NEA Scout também servirá como modelo de testes para a missão Solar Cruiser, que a Nasa pretende lançar em 2025. Isso porque ela também usará a tecnologia de velas solares, com velas 16 vezes maiores do que a embarcação atual.

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