Se aproveitando de um súbito crescimento no setor aeroespacial do país, a SpaceX firmou uma parceria com o governo da Coreia do Sul para lançar, até 2025, pelo menos cinco satélites militares, em uma iniciativa chamada pela nação asiática de “Projeto 425”.

De acordo com as informações divulgadas até aqui, todos os satélites terão caráter de observação de pontos estratégicos para a Coreia do Sul na Terra. Serão quatro satélites de radar de abertura sintética (SAR) e um satélite eletro-óptico infravermelho (EO/IR). Ainda não há um calendário específico para cada lançamento e ainda não se sabe se os veículos usados serão os comprovadamente experientes foguetes Falcon 9.

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Primeiro estágio do novo Veículo de Lançamento Espacial da Coreia - também conhecido como "Nuri". Veículo falhou em primeiro teste em outubro de 2021 e deve ter outra tentativa em 2022
Primeiro estágio do novo Veículo de Lançamento Espacial da Coreia – também conhecido como “Nuri”. Veículo falhou em primeiro teste em outubro de 2021 e deve ter outra tentativa em 2022 (Imagem: KPLO/Divulgação)

Também é pouco provável que a Coreia do Sul, que vai desenvolver a maior parte dos componentes dos satélites, vá criar algo digno de quebrar recordes: já se sabe que todos os cinco projetos terão algo perto de meio metro por pixel. Existem satélites convencionais com resoluções maiores e eles sequer têm atribuições militares.

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A razão para isso, especulam os especialistas, é que a Coreia do Sul é uma nação aliada dos Estados Unidos. Os norte-americanos sim, detém tecnologia militar aeroespacial de ponta, e é bem provável que o país asiático tire benefícios de inteligência dessa relação – efetivamente, isso elimina a necessidade de um investimento pesado próprio para esta finalidade.

Mas mesmo um pequeno desenvolvimento pode ajudar o país na observação de seu vizinho imediato – a Coreia do Norte, com quem a nação sul-asiática vive uma relação de cessar-fogo bem frágil desde julho de 1953, quando a Guerra das Coreias ainda estava a pleno curso. Tecnicamente, o conflito nunca acabou, ainda que ambas as partes tenham concordado em cessar as hostilidades.

Obviamente, a participação da SpaceX no projeto da Coreia do Sul será a entrega dos satélites à órbita da Terra. Convenhamos, a empresa fundada por Elon Musk tem bastante experiência e um ótimo currículo neste assunto. Ainda assim, há certa estranheza na decisão da nação asiática em depender da companhia norte-americana.

Isso porque a Coreia vem há anos desenvolvendo sua própria plataforma de lançamento espacial – o foguete conhecido como “Nuri”. Em outubro de 2021, tivemos a primeira tentativa de voo do veículo – a ocasião foi mal sucedida pois, após o primeiro e segundo estágios desempenharem suas funções, o terceiro estágio apresentou problemas de pressurização. Segundo divulgações anteriores do governo, uma nova tentativa está prevista para o segundo semestre de 2022.

Caso essa tenha sucesso, o foguete estaria pronto para uso oficial já em 2023, o que o qualificaria para a entrega desses satélites – e uma considerável economia de custos, já que o modelo mais barato de transporte da SpaceX não sai por menos de US$ 1 milhão (R$ 4,67 milhões) segundo especuladores.

Por outro lado, a SpaceX e a Coreia do Sul já têm uma sólida relação de negócios: a empresa lançou recentemente o satélite de comunicações ANASIS-II (da Lockheed Martin) e deve lançar até agosto deste ano o Módulo de Órbita Lunar Coreano Pathfinder (KPLO), a primeira missão do país asiático fora da órbita da Terra.

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