Emboraele esteja bem avançado na coleta de amostras de Marte, o rover Perseverance também deve buscar zonas de pouso que favoreçam o envio dessas amostras à Terra. Segundo um comunicado da agência espacial norte-americana (NASA), é justamente isso que ele começou a fazer recentemente.

A missão de retorno das amostras coletadas pelo Perseverance em Marte – convenientemente chamada Mars Sample Return – prevê dois módulos de pouso a serem enviados ao planeta vermelho, no intuito de se encontrarem com o Perseverance para que as amostras sejam depositadas em seus contêineres. Em seguida, essas amostras seriam lançadas de Marte em direção a uma sonda na órbita do planeta para, somente então, retornar com o material à Terra.

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Parte da missão do rover Perseverance é justamente encontrar zonas de pouso para que módulos futuros possam recolher as amostras que ele vem coletando de Marte, e enfim devolvê-las à Terra
Parte da missão do rover Perseverance é justamente encontrar zonas de pouso para que módulos futuros possam recolher as amostras que ele vem coletando de Marte, e enfim devolvê-las à Terra (Imagem: Merlin74/Shutterstock)

Entretanto, para que módulos de pouso se encontrem com o rover, eles precisam estar na superfície de Marte, e o terreno acidentado e desértico do planeta vermelho não facilita essa parte nem um pouquinho.

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Este processo extremamente complicado envolve uma série de processos em parceria com a agência espacial europeia (ESA). Com sorte, se tudo correr dentro do planejado, a missão de partida do orbitador e seus dois módulos deve ser lançada em 2028, o que colocaria o retorno com as amostras em algum momento de 2033.

Por isso, segundo o comunicado da NASA (via Laboratório de Propulsão a Jato, ou simplesmente “JPL”) explica que o Perseverance “agora busca um local de pouso calmo, que não ofereça nenhuma surpresa para missões futuras”.

“Quanto mais achatada e mais simples for a região, mais vamos gostar dela, pois ainda que tenhamos muito a fazer quando chegarmos para recolhermos as amostras, ‘turistar’ pela área não será uma delas”, disse Richard Cook, do JPL. Segundo ele, já existem algumas localidades em mente – especialmente uma apelidada “pista de pouso” devido à sua apresentação extremamente retilínea, como a pista de saída e entrada de aviões em um aeroporto.

“Nós já estávamos de olho nessas localidades desde antes do pouso do Perseverance, mas imagens feitas da órbita [de Marte] não podem nos mostrar muita coisa”, disse Al Chen, engenheiro da Mars Sample Return. “Agora, nós teremos algumas imagens bem próximas da pista de pouso, que indicam que estávamos certos esse tempo todo. A pista muito provavelmente será uma das principais candidatas da nossa lista de zonas de pouso da missão”.

Para correr em segurança, a missão Mars Sample Return precisa de um espaço de terra de mais ou menos 60 metros (m) que seja perfeitamente reta e achatada – ou o mais próximo disso. Mais além, a região selecionada não pode ter rochas maiores 19 centímetros (cm) de diâmetro – lançamentos e pousos levantam um alto volume de poeira, e rochas maiores, ainda que leves, podem causar danos aos equipamentos de levantarem e baterem com muita força contra eles.

Ao todo, serão três veículos: um “rover de busca” desenvolvido pela ESA ficará encarregado de recolher as amostras do Perseverance, para entregá-lo a um braço robótico chamado Sample Return Lander ou SRL. Esse braço vai mover as amostras para um foguete (Mars Ascent Vehicle, ou MAV) de três metros, que será lançado à órbita, sendo coletado por um veículo da ESA, para que este veículo finalmente comece a sua ignição em direção à Terra. Todos os outros veículos serão deixados para trás.

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