Na próxima segunda-feira (29), será lançada a missão Artemis 1, um voo teste não tripulado que servirá de demonstração das capacidades do complexo veicular formado pelo megafoguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion rumo à Lua. 

Na próxima segunda-feira (29), acontece o lançamento da missão Artemis 1, a primeira do novo programa de exploração lunar da NASA. Imagem: FoxPictures – Shutterstock

Esse será o primeiro lançamento do novo programa da NASA que visa não apenas levar astronautas para pisar novamente em solo lunar, mas, principalmente, estabelecer uma presença humana sustentável e de longa duração no satélite natural da Terra.

O Programa Artemis será regido por diretrizes determinadas pelos Acordos Artemis, que estabelecem boas práticas para exploração da Lua, Martee outros corpos celestes do espaço profundo no futuro. Atualmente, 21 países são signatários do documento, entre eles, o Brasil.

Isso não significa que nós vamos mandar astronautas para a Lua. Essa possibilidade não consta nem nos planos a longo prazo do projeto. Na adesão ao acordo, as nações apenas concordam que, ao explorar o espaço, seguirão um conjunto de princípios comuns para garantir a cooperação mútua e pacífica entre elas.

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Entre outros deveres, os países membros se comprometem a compartilhar informações e descobertas científicas, usar padrões em vigor para garantir a interoperabilidade de estruturas e sistemas, prestar assistência humanitária a tripulações em perigo, preservar artefatos de valor histórico, extrair recursos de forma sustentável e restringir o máximo possível a produção de lixo espacial.

Embora o Brasil não esteja nos planos da NASA para enviar astronautas para a Lua, nosso país assinou o acordo Artemis de cooperação mútua entre as nações para exploração do espaço. Imagem: IEDNlab (fundo) – estudio Maia (bandeira) / Shutterstock

Não existe nenhuma cláusula no contrato estipulando o compartilhamento de tecnologia de foguetes ou garantindo a participação dos membros em missões futuras. Ainda assim, a adesão do Brasil ao Acordo Artemis é importante, principalmente do ponto de vista do compartilhamento de informações científicas, já que elas podem impulsionar o trabalho de nossos pesquisadores e da nossa indústria aeroespacial, que ainda está engatinhando.

Como o Brasil pode se beneficiar e ajudar o Programa Artemis?

Após a inserção do Brasil no Acordo Artemis, que aconteceu em junho do ano passado, a Agência Espacial Brasileira (AEB) formou uma comissão para estabelecer a conjuntura da participação brasileira no referido acordo e quais seriam as contribuições do país para a realização do projeto. 

Em março deste ano, houve um encontro da comitiva brasileira com os representantes da NASA, que contou com a presença do presidente da AEB, Carlos Augusto Teixeira Moura. De acordo com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a reunião teve o intuito de discutir o escopo da participação brasileira, procurando delimitar a área mais técnica de sua cooperação.

Ainda segundo o MCTI, por causa da adesão do Brasil ao acordo, o Programa Artemis integra o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), para o período 2022-2031. “A iniciativa do projeto Artemis vai ajudar a concretizar objetivos pré-estabelecidos pelo PNAE, como a promoção do desenvolvimento técnico e científico no setor espacial e a consolidação, em todos os setores da sociedade brasileira, da compreensão dos potenciais benefícios diretos e indiretos da exploração do setor espacial para o Brasil”, diz um comunicado do ministério.

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De acordo com o ex-ministro do MCTI e ex-astronauta da NASA, Marcos Pontes, existem muitas áreas em que o Brasil pode cooperar com o Programa Artemis. “O desenvolvimento de sistemas não tripulados para a Lua é uma delas, assim como o desenvolvimento de subsistemas de estações. Eu gostaria que o Brasil buscasse expertise na área de radiação ou proteção contra a radiação. A área de engenharia fina e controle também é bem interessante”. 

Segundo Pontes, a adesão ao acordo Artemis ajudaria muito o programa espacial brasileiro, como um todo, mas, principalmente, para incentivar o interesse dos jovens pela ciência. “Temos que usar este programa para motivar jovens a seguirem carreiras de ciência e tecnologia. O Brasil pode participar sob vários aspectos do programa, e a gente vai fazendo essas participações à medida que tivermos condições técnicas, científicas e financeiras”.

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