Originalmente marcado para a última segunda-feira (29), o voo não tripulado que inaugura o novo programa da NASA de exploração da Lua e do espaço profundo foi adiado por problemas técnicos. A segunda tentativa de lançamento da missão Artemis 1, programada para decolar às 15h17 deste sábado (3), também acabou sendo cancelada pela agência.

Renderização artística mostra o foguete SLS da NASA e a nave Orion decolando da Plataforma de Lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy para a missão Artemis 1. Créditos: NASA

Independentemente de quando o lançamento do voo Artemis 1 for acontecer, a missão tem por objetivo principal testar as capacidades do complexo veicular formado pelo megafoguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion, que será lançada ao espaço para passar uma temporada circundando a Lua. A espaçonave usará a força gravitacional do corpo celeste para avançar mais longe do que qualquer outro veículo desenvolvido para transporte de astronautas jamais esteve.

Missão Artemis 1 vai abrir caminho para o retorno dos seres humanos à Lua

De forma geral, a missão Artemis 1 servirá para “preparar o terreno” para as futuras expedições humanas do programa Artemis, dando início a uma nova era na exploração espacial. Se tudo der certo, por volta de 2025 ou 2026, astronautas vão pisar em solo lunar pela primeira vez desde a missão Apollo 17, em 1972.

Se nas décadas de 1960 e 1970, o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria, que refletia os conflitos geopolíticos entre os EUA e a então União Soviética (URSS), agora Rússia, hoje a situação é pautada pelas disputas não apenas entre essas duas superpotências, mas também com a participação cada vez mais importante da China. 

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Desta vez, não se trata apenas de deixar pegadas cravadas no solo lunar. Mais do que isso, o programa marca o início de uma nova corrida espacial pelos recursos do nosso satélite natural. E esses três países são os principais competidores nessa concorrência para mineração da Lua – só não são os únicos.

O programa Artemis é liderado pelos EUA, com participação da Agência Espacial Europeia (ESA) e muitas outras nações amigáveis, incluindo a Austrália.

Paralelamente, China e Rússia estão atuando em projetos próprios. Essas nações planejam pousar humanos na Lua em 2026 e construir uma base lunar até 2035.

A Índia também está trabalhando em aterrissadores robóticos da Lua e em um programa de voo espacial lunar. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, planejam lançar um módulo de pouso lunar em novembro deste ano.

Após ter sido encontrado gelo de água no polo sul da Lua, a estimativa é de que certos gases que podem ser usados para produzir combustíveis também possam ser extraídos. Esses recursos poderiam ser usados para sustentar a permanência humana de longo prazo na Lua, bem como em estações espaciais permanentes orbitando o astro, como a Gateway, que é projetada pela NASA.

A Agência Espacial Australiana está apoiando a indústria do seu país para fazer parte do programa Artemis e das viagens planejadas pelos EUA para Marte. Cientistas australianos também estão desenvolvendo equipamentos para ajudar os esforços de mineração lunar.

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Futuramente, o que for aprendido sobre a Lua será usado para avançar na exploração de Marte. A curto prazo, no entanto, os países e entidades comerciais associadas que chegarem primeiro aos melhores locais de mineração tendem a dominar a “economia” e “política” lunares.

Quais são as regras do jogo?

Uma pergunta não quer calar: quais leis vão regular as atividades na Lua?

De acordo com o Tratado Espacial Exterior, de 1967, é proibida a apropriação no espaço “por reivindicações de soberania, ocupação ou por qualquer outro meio”. Até agora, no entanto, não está claro se a mineração ou outras formas de extração de recursos se enquadram nessa proibição.

Segundo o site Space.com, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem um grupo de trabalho que visa desenvolver um consenso multilateral sobre aspectos legais das atividades de recursos espaciais.

No entanto, em 2020, os EUA saíram na frente desse processo, criando os Acordos Artemis, que estabelecem diretrizes para a extração de recursos e já foram assinados por vinte e um países – entre eles, o Brasil.

Lista dos países membros dos Acordos Artemis. Imagem: NASA

Outro tratado relevante é o Acordo da Lua, de 1979, assinado por 18 países, que afirma que nenhuma entidade pode possuir qualquer parte da Lua, e obriga as nações a estabelecer um regime regulatório para a mineração lunar.

De qualquer forma, a tomada de leis internacionais e o alcance de consensos são lentos: provavelmente, a prática real será estabelecida nos próximos anos, e as decisões sobre como governá-la virão no momento adequado.

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